Por Elisangela Machieski · Investigadora de Child2Rule
A unos pasos de casa, en las rejas del Colegio Moreno Rosales aparecieron bordados, dibujos y carteles realizados por los alumnos y alumnas como parte de la intervención Bordando el Futuro, desarrollada junto a la artista Ana Ausín y el Museo del Prado. Lo que normalmente era solo una fachada escolar se transformó en un pequeño espacio expositivo abierto a quien pasara por la calle.
El proyecto parte de una idea sencilla y hermosa: observar el paisaje, recoger sus colores y trasladarlos al bordado mediante lanas teñidas con pigmentos naturales. El resultado es una obra colectiva construida entre niños, docentes y familias, donde cada puntada habla tanto del presente como de los saberes heredados.
Lo que más llamó mi atención, sin embargo, fueron los carteles que acompañan la instalación. Entre flores, plantas y bordados, aparecían mensajes escritos por los propios niños: “Queremos más plantas”, “Espacios para la infancia”, “Flores”. Reivindicaciones simples, pero profundamente políticas. Allí hablaban del derecho de la infancia a imaginar, expresar sus deseos y participar en la construcción de la ciudad que habita.
Quizá por eso me detuve varios minutos frente a esa exposición. Investigar la participación infantil suele llevarme a archivos y documentos del pasado. Aquella mañana, en cambio, la encontré en mi propia calle. A veces olvidamos que los vestigios de la infancia también aparecen en un dibujo colgado de una reja, en un bordado colectivo o en un cartel que pide, con toda naturalidad, más flores y más espacios para la infancia.
Me gustó pensar que, en este caso, bordar el futuro también significó hacerse visible para todos los que pasaban por allí.



#3 – Leituras, filmes e exposições: Bordar o futuro e ocupar a rua
A poucos passos de casa, apareceram nas grades do Colégio Moreno Rosales bordados, desenhos e cartazes realizados pelos alunos e alunas como parte da intervenção Bordar o Futuro, desenvolvida em conjunto com a artista Ana Ausín e o Museu do Prado. O que normalmente era apenas uma fachada escolar transformou-se num pequeno espaço expositivo aberto a quem passasse pela rua.
O projeto parte de uma ideia simples e bonita: observar a paisagem, recolher as suas cores e transferi-las para o bordado através de lãs tingidas com pigmentos naturais. O resultado é uma obra coletiva construída entre crianças, docentes e famílias, em que cada ponto fala tanto do presente como dos saberes herdados.
O que mais me chamou a atenção, no entanto, foram os cartazes que acompanhavam a instalação. Entre flores, plantas e bordados, apareciam mensagens escritas pelas próprias crianças: “Queremos mais plantas”, “Espaços para a infância”, “Flores”. Reivindicações simples, mas profundamente políticas. Ali, falavam do direito das crianças a imaginar, expressar os seus desejos e participar na construção da cidade que habitam.
Talvez por isso tenha parado durante vários minutos diante daquela exposição. Investigar a participação infantil leva-me frequentemente a arquivos e documentos do passado. Naquela manhã, porém, encontrei-a na minha própria rua. Às vezes esquecemo-nos de que as marcas da infância também aparecem num desenho pendurado numa grade, num bordado coletivo ou num cartaz que pede, com toda a naturalidade, mais flores e mais espaços para a infância.
Gostei de pensar que, neste caso, bordar o futuro também significou tornar-se visível para todos os que por ali passavam.
#3 – Readings, films and exhibitions: Embroidering the future and taking to the streets
A few steps from home, embroidery, drawings, and signs made by the students appeared on the railings of the Moreno Rosales School as part of the Embroidering the Future project, developed together with the artist Ana Ausín and the Prado Museum. What was normally just a school façade was transformed into a small exhibition space open to anyone passing by on the street.
The project starts from a simple and beautiful idea: observing the landscape, collecting its colours, and transferring them to embroidery using wool dyed with natural pigments. The result is a collective work created by children, teachers, and families, where every stitch speaks both of the present and of inherited knowledge.
What caught my attention most, however, were the signs accompanying the installation. Among flowers, plants, and embroidery, there were messages written by the children themselves: “We want more plants,” “Spaces for childhood,” “Flowers.” Simple demands, but deeply political ones. There, they were speaking about children’s right to imagine, express their wishes, and participate in shaping the city they inhabit.
Perhaps that is why I stopped for several minutes in front of the exhibition. Researching children’s participation often takes me to archives and documents from the past. That morning, however, I found it on my own street. Sometimes we forget that traces of childhood also appear in a drawing hanging from a railing, in a collective embroidery project, or on a sign that simply asks for more flowers and more spaces for children.
I liked thinking that, in this case, embroidering the future also meant making themselves visible to everyone who passed by.



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