#4 –  Entre líneas: Escribir nunca es un acto completamente solitario

Por Elisangela Machieski · Investigadora de Child2Rule

Hay una imagen muy extendida sobre la investigación: una persona sola frente al ordenador, rodeada de libros y notas, intentando encontrar las palabras adecuadas. Y, en parte, es verdad.

Durante las últimas semanas estuve escribiendo un artículo titulado “¿Qué Xou da Xuxa es este? Participación política protagónica infantojuvenil y regímenes de reconocimiento adultocéntrico”. Es uno de esos textos que exigen volver una y otra vez sobre las mismas páginas, revisar argumentos, reorganizar fuentes y aceptar que escribir también significa borrar.

Son muchas horas de silencio. Horas en las que una frase puede ocupar toda una mañana y un párrafo parece resistirse hasta el final del día. Pero ese silencio no siempre significa estar sola.

Mientras escribo, siempre hay alguien ocupando un rincón del escritorio, durmiendo sobre los apuntes o reclamando un espacio entre el teclado y los libros. Mia, Tarsila, Chica y Bóris se han convertido, sin saberlo, en compañeros constantes de este proceso. No leen borradores ni corrigen citas, pero recuerdan que, de vez en cuando, también hay que hacer una pausa.

Quizá la escritura académica sea precisamente eso: un equilibrio entre la concentración y los pequeños gestos cotidianos que hacen posible seguir pensando.

Este artículo habla sobre cómo niñas, niños y adolescentes participaron activamente en la construcción de la democracia brasileña y cómo, a menudo, su protagonismo fue invisibilizado por miradas adultocéntricas. Es un tema que me acompaña desde hace años y que, poco a poco, también va encontrando su forma en la escritura.

P. D. Este artículo se encuentra en proceso de evaluación. Espero poder volver pronto con la buena noticia de su publicación. Mientras tanto, esta entrada queda como testimonio de todo aquello que no suele aparecer en un artículo académico: los borradores, las dudas, los cafés… y cuatro gatos que siempre encuentran la manera de hacerse un lugar entre los libros.

Tarsila y el ordenador. Fotografía: Elisangela Machieski
Lectura compartida con Tarsila, Chica y Bóris. Fotografía: Elisangela Machieski

#4 – Entre linhas: Escrever nunca é um ato completamente solitário

Há uma imagem muito difundida sobre a investigação: uma pessoa sozinha em frente ao computador, rodeada de livros e apontamentos, tentando encontrar as palavras certas. E, em parte, é verdade.

Durante as últimas semanas, estive a escrever um artigo intitulado “Que Xou da Xuxa é este? Participação política protagonista de crianças e adolescentes e regimes de reconhecimento adultocêntrico.” É um daqueles textos que exigem voltar uma e outra vez às mesmas páginas, rever argumentos, reorganizar fontes e aceitar que escrever também significa apagar.

São muitas horas de silêncio. Horas em que uma frase pode ocupar toda uma manhã e um parágrafo parece resistir até ao final do dia. Mas esse silêncio nem sempre significa estar sozinha.

Enquanto escrevo, há sempre alguém a ocupar um canto da secretária, a dormir sobre os apontamentos ou a reclamar um espaço entre o teclado e os livros. Mia, Tarsila, Chica e Bóris tornaram-se, sem o saberem, companheiros constantes deste processo. Não leem rascunhos nem corrigem citações, mas lembram-me que, de vez em quando, também é preciso fazer uma pausa.

Talvez a escrita académica seja precisamente isso: um equilíbrio entre a concentração e os pequenos gestos quotidianos que tornam possível continuar a pensar.

Este artigo aborda a forma como crianças e adolescentes participaram ativamente na construção da democracia brasileira e como, muitas vezes, o seu protagonismo foi invisibilizado por perspetivas adultocêntricas. É um tema que me acompanha há anos e que, pouco a pouco, também vai encontrando a sua forma na escrita.

P.S. Este artigo encontra-se em processo de avaliação. Espero poder voltar em breve com a boa notícia da sua publicação. Entretanto, esta entrada fica como testemunho de tudo aquilo que normalmente não aparece num artigo académico: os rascunhos, as dúvidas, os cafés… e quatro gatos que encontram sempre uma forma de conquistar um lugar entre os livros.


#4 – Between the lines: Writing is never a completely solitary act

There is a widespread image of research: a person alone in front of a computer, surrounded by books and notes, trying to find the right words. And, in part, it is true.

Over the past few weeks, I have been writing an article entitled “What Xou da Xuxa Is This? Child and Adolescent Protagonist Political Participation and Adult-Centric Regimes of Recognition.” It is one of those texts that require going over the same pages again and again, reviewing arguments, reorganizing sources, and accepting that writing also means deleting.

There are many hours of silence. Hours in which a single sentence can take up an entire morning and a paragraph seems to resist until the end of the day. But that silence does not always mean being alone.

While I write, there is always someone occupying a corner of the desk, sleeping on my notes, or demanding a space between the keyboard and the books. Mia, Tarsila, Chica, and Bóris have unknowingly become constant companions throughout this process. They do not read drafts or check citations, but they remind me that, every now and then, it is also necessary to take a break.

Perhaps academic writing is precisely that: a balance between concentration and the small everyday gestures that make it possible to keep thinking.

This article explores how children and adolescents actively participated in the construction of Brazilian democracy and how, often, their protagonism was made invisible by adult-centric perspectives. It is a subject that has accompanied me for years and that, little by little, is also finding its form through writing.

P.S. This article is currently under review. I hope to return soon with the good news of its publication. In the meantime, this entry remains as a record of everything that does not usually appear in an academic article: drafts, doubts, coffees… and four cats who always find a way to make room for themselves among the books

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