Por Elisangela Machieski · Investigadora de Child2Rule

Hace unos días leí Dibujos para una guerra (1936-1939), una obra que reúne dibujos realizados por niños y niñas durante la Guerra Civil española. Más que un libro sobre la guerra, es una invitación a mirar el conflicto desde la perspectiva de la infancia, acercando al público un conjunto documental que durante mucho tiempo permaneció disperso o poco conocido.
Uno de los grandes méritos de la obra es precisamente ese: preservar y difundir estos dibujos, haciéndolos accesibles tanto para investigadores como para lectores interesados en la historia de la infancia. Gracias a este trabajo, es posible descubrir un patrimonio documental de enorme riqueza y comprender que los niños también dejaron registros propios de la guerra.
La lectura, sin embargo, también despertó en mí una reflexión metodológica. Los dibujos aparecen acompañando el relato y ayudan a construir la narrativa del libro, pero pocas veces son objeto de un análisis. Como historiadora de la infancia, no pude evitar pensar que un dibujo también puede leerse como leemos una carta: atendiendo a sus silencios, a sus elecciones, a aquello que muestra y a aquello que deja fuera. Cada trazo, cada color y cada composición pueden revelar formas de experimentar, comprender y representar el mundo.
Al terminar el libro me quedó una pregunta: ¿qué nuevas historias podrían contarnos los dibujos infantiles si, además de ilustrar el pasado, los leyéramos como fuentes históricas con voz propia?
#5 – Leituras, Filmes e Exposições: Desenhos Infantis
Há alguns dias, li Dibujos para una guerra (1936–1939), uma obra que reúne desenhos realizados por crianças durante a Guerra Civil Espanhola. Mais do que um livro sobre a guerra, é um convite a olhar para o conflito a partir da perspetiva da infância, aproximando do público um conjunto documental que, durante muito tempo, permaneceu disperso ou pouco conhecido.
Um dos grandes méritos da obra é precisamente esse: preservar e divulgar estes desenhos, tornando-os acessíveis tanto a investigadores como a leitores interessados na história da infância. Graças a este trabalho, é possível descobrir um património documental de enorme riqueza e compreender que as crianças também deixaram registos próprios da guerra.
A leitura, no entanto, também despertou em mim uma reflexão metodológica. Os desenhos aparecem acompanhando a narrativa e ajudam a construir o relato do livro, mas raramente são objeto de uma análise própria. Como historiadora da infância, não pude deixar de pensar que um desenho também pode ser lido como lemos uma carta: prestando atenção aos seus silêncios, às suas escolhas, àquilo que mostra e àquilo que deixa de fora. Cada traço, cada cor e cada composição podem revelar formas de experimentar, compreender e representar o mundo.
Ao terminar o livro, ficou comigo uma pergunta: que novas histórias poderiam contar-nos os desenhos infantis se, para além de ilustrarem o passado, os lêssemos como fontes históricas com voz própria?
#5 – Readings, Films and Exhibitions: Children’s Drawings
A few days ago, I read Dibujos para una guerra (1936–1939), a work that brings together drawings made by children during the Spanish Civil War. More than a book about the war, it is an invitation to look at the conflict from the perspective of childhood, bringing to the public a body of documentary material that for a long time remained scattered or little known.
One of the work’s great merits is precisely this: preserving and disseminating these drawings, making them accessible both to researchers and to readers interested in the history of childhood. Thanks to this work, it is possible to discover a documentary heritage of enormous richness and to understand that children also left their own records of the war.
The reading, however, also prompted a methodological reflection in me. The drawings appear alongside the narrative and help to construct the book’s story, but they are rarely the subject of analysis themselves. As a historian of childhood, I could not help thinking that a drawing can also be read in the same way as we read a letter: by paying attention to its silences, its choices, what it shows, and what it leaves out. Every line, every colour, and every composition can reveal ways of experiencing, understanding, and representing the world.
When I finished the book, one question remained with me: what new stories could children’s drawings tell us if, in addition to illustrating the past, we read them as historical sources with a voice of their own?



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